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Narcisismo  Construindo autenticidade tanto no Facebook como no Instagram (@narcisismmo). Se valorizar a si mesmo é pecado, seja bem vindo, pecador.

Garoa fria, relâmpagos iluminavam o céu noturno e eu tremia ao lado das duas covas naquele mesmo campo aberto coberto por uma névoa densa. O lobo ainda observava-me. "O que você quer, seu maldito?!" Olhei as duas covas e percebi que as duas estavam abertas. Minutos passaram e eu espiava o lobo que se mantinha intacto, solene em sua postura e ele somente observava-me como esperasse alguma ação minha. Ele uivou. O silêncio tomaria conta se não fosse o barulho constante dos relâmpagos e o gotejo da chuva na relva. Escutei novos uivos vindo distantes e seus ecos atravessavam o bosque vagarosamente.
Senti uma batida seca na nuca e despenquei em uma das valas. A visão ficou turva por um momento até que pude retomar-me e a cabeça tornou a latejar por inteira. O lobo ocupava a lateral da cova e observava-me atentamente.
"O que você quer?!". Sem resposta. E então surge um homem careca e gordo trajando um terno sujo de terra que olhava severamente e segurava uma pá. Custei a reconhecer que era meu pai atrás de uma barba enorme e horrenda e também pela cova ser funda. Seu olhar encheu-se de ódio que faiscava.
- Filho... - Ao dizer, ele pegou a pá e começou a recolocar a terra sobre a cova - Antes de ser um homem de sucesso, seja um homem íntegro e de caráter. A sociedade é suja, no entanto não precisamos sujar as mãos em nossas trajetórias. Olhe a um espelho e verá que competição é contra o homem do reflexo e essa competição estenderá até o último dia da sua vida. - A cada frase, ele colocava três pás de terra sobre a cova. Até que tomou ímpeto e recolocou o restante da terra vorazmente.
"Filho, hoje enterrarei o homem fraco que habita essa sua carcaça e quero que tome a providência certa que revele o verdadeiro homem que você é!"
NARCISO pt. 14

E, lá da escuridão daquela sala, habitava um homem. À primeira vista, um homem qualquer, um cidadão qualquer, não, você precisa conhecê-lo. Seu emprego como psicólogo rendeu um notável sustento, um apartamento na Vila Olímpia entre outros diferentes artistas, entre tantos outros arranha-céus. Mas o dinheiro não comprou o que ele tanto queria. Vou contar desde o começo do que seria este ofício.
No frio de julho, a tristeza congelou-o mais que o clima. Sua mulher se fora. Câncer de mama. Deste então, desolado, sofreu solitário dentro de um apartamento simples em Itaquera, um cubículo, posso dizer, ele mergulhou o lugar com lágrimas. Ele pensou em suicídio, ele sofreu com a insanidade, até que certo dia, ele refletiu: "Minha mulher não quer minha tristeza esteja lá onde estiver."
Ele fora demitido de seu emprego como operador de extrusora em uma fábrica de cabos elétricos e os três meses seguintes foram de pura meditação e leitura intensa em obras de grandes pensadores. Ele tinha um passatempo peculiar de escrever seus pensamentos em um caderno velho e guardá-lo sob o colchão. De certo momento, resolveu-o distribuir suas escritas em fóruns de internet, e até que a fama cresceu numa proporção em que ele se via dando conselhos sobre suas mazelas. Ele enriqueceu de todas as formas.
A lacuna que sua mulher deixou, ele preencheu-a com a satisfação de um bom trabalho. A companhia nunca fora novamente preenchida, embora ele mantivesse uma vida amorosa ativa. Nenhuma mulher será como aquela. As boas mulheres são todas assim, elas preencherão todos nossos medos, melhorarão nossas qualidades, nunca mais nos sentiremos sozinhos; Uma bela mulher é a coluna cervical de um homem de sucesso.
O homem é chamado como Narciso. Ele apaixonou-se por sua própria imagem após a tragédia. O famoso doutor Narciso.
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NARCISO pt. 13 (Estou na organização de uma prévia do livro no Wattpad, mas vou lançar ela revisada e formatada.)

- Doutor, mas o porquê disso? Narciso não é seu nome. Há algum motivo em específico?
- Caro amigo, hmm... Qual é o seu nome mesmo?
- Vinicius, doutor.
- Ora, amigo. É um motivo nobre. Esse nome é referente ao Narciso da mitologia grega. O homem que cultua a si mesmo perante tudo. Por que Narciso? Em uma sociedade hipócrita, narcisismo deixou de ser uma doença e transformou-se em uma cura. Eu era como um cara normal, isto é, qualquer cara comum que preenche as ruas, bem, que faz peso na terra assim posso dizer... E com diferentes decepções em minha vida, eu deixei de olhar pelas janelas e admirei espelhos; o reflexo, o único ser capaz de traçar o destino de uma diferente maneira. Mantive-me rodeado, mas só. Estudei grandes clássicos, ingressei no ramo da psicologia e cá estou: Olhando ainda espelhos. O reflexo não me assombra, eu admiro, eu observo a imagem de um homem capaz de tudo, capaz de alcançar aquilo que julga valoroso. Eu tinha medo, meu jovem, eu tinha medo de ser mais um homem que teve uma vida e não viveu. Eu quero poder morrer sem arrependimentos e assim está sendo. Admire o espelho, admire o reflexo, admire a si mesmo e compreenderá que o impossível não existe.
- Certo, doutor... Agora me diga, quem é o lobo e qual é o seu nome?
- Meu nome é Vinicius e o lobo somos nós. [...]

"Bem, eu sempre sei o que quero. E quando você sabe o que você quer - você vai em direção a isso. Às vezes você vai muito rápido e, às vezes, apenas uma polegada por ano. Talvez você se sinta mais feliz quando for rápido. Eu não sei. Eu esqueci a diferença há muito tempo, porque isso realmente não importa, desde que você se mova." -- AYN RAND

Pouco tempo além das nove horas da manhã, eu e o Lobo Narciso observávamos a multidão que ocupava o viaduto do chá. Estavam afundados em celulares ou pressa, seus rostos eram completamente iguais demonstravam um tom de preocupação.
- Está vendo? São completamente fodidos. Venderam suas almas por menos de 100 reais diários. Acabam morrendo e nem percebem. "Nascem sem pedir e morrem sem querer". - Lobo disse com certa decepção e desprezo.
- Quanto custa o tempo? - Indaguei-o para saber como seria seu ponto de vista.
- O tempo possui preço inestimável. - Respondeu ríspido. Passado um momento observando toda aquela movimentação, continuou.
"Vou te contar uma história, filho. Atente-se. Conheço um homem que ele teve tudo após estudar até suor virar sangue, entretanto perdeu tudo. Como? O tempo esgotou. Este homem não nasceu em berço nobre, com isso seus pais o incentivaram massivamente que seu tempo fosse investido em estudo. A criança compreendeu a importância disso e tirou as melhores notas que repetiram-se até na fase da faculdade. Formou-se em faculdade federal em tempo integral e logo conseguiu um emprego de grande remuneração e responsabilidade após galgar alguns degraus. Apesar do sucesso, ele matou o tempo. Ele gozou das melhores putas, esteve nas melhores festas, construiu uma boa casa e desfrutava de um bom carro. O dinheiro não preencheu o vazio que o tempo criou. Ele não conseguiu viajar apesar de toda riqueza pois seu trabalho exigia sua presença sempre. Ele engravidou uma dessas cachorras da noite e não viu o filho crescer, além de que ela enriqueceu lentamente às suas custas
graças a uma ação na justiça. Numa de suas loucuras bateu o carro e foi pego pela polícia, o carro foi destruído e teve de pagar uma alta fiança. No dia seguinte após o incidente, foi despedido por má conduta e com isso o declínio consumiu-o
- E o que aconteceu com ele depois disso? - Perguntei assustado com todo o azar do sujeito.
- Está vendo aquele gari?
- Sim.
- É, então...

Os ponteiros percorriam seus caminhos tranquilamente através de um movimento mecânico. Estacionado na vida, a poeira mantinha sobre minha alma inerte, a minha vontade interna de não saber para correr ou solicitar ajuda a um padre em um confessionário. Se fosse realmente a última opção de obter ajuda a um padre, e se ele optasse por uma proposta como a de acender uma vela para cada pecado, eu teria de ser atendido pelos senhores da basílica em Aparecida do Norte.
O tic-tac combinava com minha respiração e indicava os segundos para o fim da linha. Contudo, sobrevivia uma força em mim apesar de todo esse pesar causador dos meus temores. Uma força que indagava minha capacidade de reação, exigia fracamente mas insistente, um estímulo incômodo.
Eu imaginava passos além das fronteiras do meu território de fracasso. Contive os pensamentos pessimistas por minutos e me arrumei como se fosse convidado para um casamento com a importância de um padrinho.
Independentemente de todas as desgraças, eu conservei contatos em diversos lugares e meu estado de desemprego era um questão minha entre eu e minha falta de vontade. Em uma ligação rápida no quarto da pensão, eu retomei meu caminho fora da subsistência. Um trabalho simples como soldador junto de um amigo em sua serralharia era um pontapé (um chute na bunda) me afastando da miséria e desamparo.
O brilho havia retomado meus olhos por um curto momento.
Caminhando no âmbito de São Paulo para alcançar a serralheria, um trilhar aproximadamente de cinco quilômetros, a surpresa me esperava no corredor ao cruzar a avenida no trânsito parado. Com a cabeça novamente cheia de desejos, ao andar entre os carros, entro em um corredor e sinto o impacto.
O que viria depois de meu sofrimento é somente loucura e insanidade.
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NARCISO pt. 12.1

O inverno estava em seu auge mas diferente da floresta, o frio da cidade considerei bem ameno mesmo naquela madrugada. Cheguei ao local, aproximei-me de uma janela. Ao lado de um misera vela pousada em um criado mudo, o homem esquentava o corpo com doses de vodka com refrigerante, e até então nenhuma novidade. Ele ainda não ergueu-se do vício das drogas e mulheres; principalmente a droga das mulheres. Sua casa estava aos pedaços. Sujeira e degradação em nível avançado. Ele tinha dinheiro suficiente para reparar sua vida, mas somente propunha pela a manutenção de seus vícios. Fiquei sabendo que ele devia alguns agiotas. Literalmente destruído, mais um viciado fodido. Ele tinha o que eu queria: Um corpo jovial e uma estupenda inteligência mesmo que estivesse estragado.
Eu caçava recompensas, ele caçava bocetas.
E eu mesmo só, mas apesar de tudo, nunca recorri ao pó. Não mais. A escola de Narciso tinha criado um propósito que seria reerguer um homem para sempre e desta maneira a finalidade seria alcançada.
Há dois tipos de homens: Os que querem ajuda e os que necessitam mas negam. No caso deste, fazia parte do segundo grupo, e a cegueira de sua comodidade era o grande problema.
Você pode expor todo exemplo de situação em que seu declínio é muito evidente porque seus atos trarão consequências. O mundo está populada por estes indivíduos egoístas controlados por seus medos e rancores. E o mesmo de sempre: “Doutor, o senhor pode me ajudar?”
Eu concordo, contudo hesitante. A ajuda vai de encontro a muitas coisas que terá de abandonar, uma mulher, um vício e o emprego. O homem é carente do conceito do super-herói e quando desafiado a mudar o mundo, o primeiro passo será mudar a ele mesmo. Então, a sua mentalidade é instruída por um caminho em que ele não volte jamais, e nem sequer recorde-o.
Eles sempre choram. A tristeza está escorrendo por seus rostos em todas as vezes, não por aquilo que perderam, mas pelo tempo perdido e por todo o sofrimento que enfrentaram.
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NARCISO pt. 12

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